quinta-feira, 3 de julho de 2008

Eu queria aprender a fabricar noites.

a madrugada me chama pra dormir e o sol acorda e me puxa de volta pra vida. Meu quarto não tem mais cortinas, é isso que eu estava tentando dizer. Então eu, que já acordo meio cedo em relação às pessoas normais, todos aqui em casa são assim, especialmente a minha mãe, tenho lutado bravamente para continuar na cama.
O que me lembra um pouco Recife, quando não ter cortinas não importava, pois minha janela era de cara para o nascente e o quarto inteiro se iluminava e origatoriamente virava um forno, a partir das 7 da manhã. Então eu pegava meu cobertorzinho e ia me arrastando até o chão da cozinha ou do corredor ou até uma sombra e dormia alguns momentos gratificantes numa sobre fresca. Até levantar porque o chão é duro e incomoda.
Mas acho que nem era esse o caso. Só queria comentar que não tenho mais cortina. é que ela foi lavar e agora eu fico com preguiça de pendurá-la. É muito alto e sei lá, eu não estou disposta. Falando em indisposiçòes, ando menstruada. E sonhei que havia uma cigana que lia o futuro em absorventes usados. Eu devia escrever um livro sobre isso, mas já tenho idéias demais então lanço essa ao mundo para que alguém a aproveite. Só me mandem, para que eu possa ler.
Mas sim, voltando às cortinas. elas são de algodão cru e nem tapam muito a luz, mas é melhor do que não ter cortina nenhuma. Quando eu comprar outra cortina, acho que ela vai ser bem escura e tapadora de luz, para eu poder dormir até mais tarde achando que ainda é noite. Eu queria saber frabicar noites, então faria muitas, seguidas. E quando eu estivesse com vontade seria noite, e vou contar que eu gosto muito mais das noites do que dos dias, as noites são mais frescas e calmas e silenciosas. Durante a noite não há sol.
Nas minhas noites mais bem sucedidas haveria a boemia noturna da lapa e as cores alegres de um circo. E a trilha sonora daquele filme sobre 3 irmão que viajam de trem pela índia.
E então, quando eu cansasse de noites, abriria a cortina e deixaria a luz entrar.Um feixe de esperança no escuro. Com a luz do sol, se desfazeriam todas as ilusões noturnas e todos os monstros iriam embora pra voltar mais tarde. E tudo o que eu ganhei durante a noite se perderia, porque os filhos da noite vão sempre embora durante o dia.

Ah, tivesse eu uma cortina imponente dessas e o mundo teria que se acostumar ao meu relógio biológico, e as pessoas se surpreenderiam porque eu faria escurecer a qualquer momento. Entào, quando elas pensassem que não há mais volta, eu faria o sol surgir outra vez só para vê-las felizes, do alto da minha jaenla. E eu também não teria mais minahs tão bem cultivadas olheiras, e poderia presatr atenção nas aulas sem perigar dormir. E poderia muito mais.

Mas, enquanto isso não acontece, só me resta pedir pra alguém por favor apagar o sol, que eu quero dormir.

3 comentários:

Fernando S. Trevisan disse...

Muito bom.

Você precisa de um black-out.

Tenho um aqui e só acordo quando quero - e não quando o sol obriga!

Mas, claro, o calorão é o mesmo, no verão. Pra isso deus deu o paraíso, as seiláquantas virgens (todas chatas, é verdade, mas enfim) para o cara que inventou o ar-condicionado.

:***

Antônio Pasquim disse...

Lindo texto, você.
Gosto oe seus textos, sempre gostei. Você tem um gosto diferente dos demais...
Beijo.

T, disse...

Sabe quando disse "sua parte é melhor que a minha"? Eu falava MUITO sério. Eu achei o link nos favoritos. Nem lembrava que era seu. E comecei a ler. E fui lendo. E sorrindo, sabe? E assustado tb em como você é... é sincera [Falando em indisposiçòes, ando menstruada. E sonhei que havia uma cigana que lia o futuro em absorventes usados.]... e quando olho pro lado, vejo você. Ah! É bom demais te ler, Ray.

Só pra constar, você pode qualquer coisa. Dia ou noite, você pode. E LARGA MÃO DE PREGUIÇA E PÕE LOGO ESSA CORTINA! ;D