Margaridas na janela
da menina da janela
janela aberta
fechada
fachada semi-aberta
trans-lúcida
Margaridas plásticas
perfeitamente plantadas
giram-giram-giram.
Como cataventos que,
porventura, - aventuradamente-
acompanhassem o sol.
Como girassóis.
domingo, 31 de maio de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
domingo, 23 de novembro de 2008
explicações demais, poesia de menos.
Quem me conhece sabe que eu não sou muito de poemas. Assim, escrever é muito fácil, vem esse negócio de rima, essa coisa de métrica. Essa subserviência às palavras.
Pra mim, escreve quem consegue transformar um turbilhão de imagens e sentimentos em alguma coisa. Seja rima, seja música, seja texto.
Mas escrever uns poeminhas é a primeira coisa que a gente aprende. Se desconectar disso é muito mais difícil. Usar a poesia para quebrar o poema. Usar a métrica pra se vencer.
Não que eu faça isso, eu só tava explanando sobre bons poetas.
Essa enrolação toda é porque eu escrevi algo. Algo que eu gosto de chamar de poema. Quando eu faço isso, eu dou o melhor de mim - e geralmente sai uma bosta. Por isso são poucas as poesias que eu publico.
Essa é especial pra mim. Primeiro, porque não era pra ser nada. Eu estava cansada e enjoada e dentro de um ônibus sujo e feio sem ar condicionado e, pollyanamente, decidi tentar melhorar o meu dia. Então comecei a brincar com a sonoridade das palavras e depois com imagens e depois com meus sentimentos e confusões e aí eu pari esse ovo.
Segundo, e é por isso que eu estou me explicando tanto, é que ela eu escrevi quando a tia Sílvia morreu - e alguns dias depois a Bianca. A primeira, mãe de uma amiga muito querida, pessoa muito querida, me deixou triste. A segunda, uma menina de 8 anos que eu carreguei no colo, brinquei e rodei no ar, me deixou apreensiva. Eu não vou explanar muito mais aqui.
Mas eu demorei pra postar isso por vários motivos. O Primeiro é que o silêncio sempre foi o meu luto. Que eu queria dar um tempo pra respeitar a dor alheia, que eu precisava ajeitar a minha vida antes de qualquer outra coisa, que eu tinha que parar e pensar. Que eu não tenho certeza de se postar isso vai ser bom ou não.
Depois que a minha vida é um caos, nunca dá tempo de fazer tudo o que eu quero fazer, mesmo porque eu não me esforço muito pra completar a minha "to do list.". Fora que eu arranjei um emprego, passei quase um mês em São Paulo sem computador (e sem sentir muita falta de internet, pra dizer a verdade) e aí que eu não ia conseguir postar mesmo.
Mas agora eu cheguei. Eu quero meu blog, meu cheiro, minhas coisas. Eu tenho esse texto. Espero que gostem.
A morte saúda
Secretamente, com barris de vinho.
Cerejeiras desabrocham
Silenciosas
Um botão – o pasto está em flor, como pode?
Como pode o pasto florir?
Como pôde?
Se um dia eu descobrir
Se um dia eu não a-cor-dar
Se um dia eu desabrochar
E sair voando
der-repente
num rompante
Imprevisivelmente
Como podemos voar?
Cerejeiras são cálidas como a morte, lenta e trôpega.
Jabuticabas maduras - com vespas dentro.
Como é possível?
Como é possível para os pássaros?
Piões girando em roda
Hora para um lado, hora para o outro.
O pasto está em flor – como pode?
Ouço as passadas soturnas
(do guardados de faróis)
E entendo que não posso.
Por hora, isso me basta.
Mas amanhã
Amanhã, quando murcharem as vacas
E quando o boi se transformar num bife
Amanhã tentarei outra vez.
Com que cara?
-Com uma cara nova.
Pra mim, escreve quem consegue transformar um turbilhão de imagens e sentimentos em alguma coisa. Seja rima, seja música, seja texto.
Mas escrever uns poeminhas é a primeira coisa que a gente aprende. Se desconectar disso é muito mais difícil. Usar a poesia para quebrar o poema. Usar a métrica pra se vencer.
Não que eu faça isso, eu só tava explanando sobre bons poetas.
Essa enrolação toda é porque eu escrevi algo. Algo que eu gosto de chamar de poema. Quando eu faço isso, eu dou o melhor de mim - e geralmente sai uma bosta. Por isso são poucas as poesias que eu publico.
Essa é especial pra mim. Primeiro, porque não era pra ser nada. Eu estava cansada e enjoada e dentro de um ônibus sujo e feio sem ar condicionado e, pollyanamente, decidi tentar melhorar o meu dia. Então comecei a brincar com a sonoridade das palavras e depois com imagens e depois com meus sentimentos e confusões e aí eu pari esse ovo.
Segundo, e é por isso que eu estou me explicando tanto, é que ela eu escrevi quando a tia Sílvia morreu - e alguns dias depois a Bianca. A primeira, mãe de uma amiga muito querida, pessoa muito querida, me deixou triste. A segunda, uma menina de 8 anos que eu carreguei no colo, brinquei e rodei no ar, me deixou apreensiva. Eu não vou explanar muito mais aqui.
Mas eu demorei pra postar isso por vários motivos. O Primeiro é que o silêncio sempre foi o meu luto. Que eu queria dar um tempo pra respeitar a dor alheia, que eu precisava ajeitar a minha vida antes de qualquer outra coisa, que eu tinha que parar e pensar. Que eu não tenho certeza de se postar isso vai ser bom ou não.
Depois que a minha vida é um caos, nunca dá tempo de fazer tudo o que eu quero fazer, mesmo porque eu não me esforço muito pra completar a minha "to do list.". Fora que eu arranjei um emprego, passei quase um mês em São Paulo sem computador (e sem sentir muita falta de internet, pra dizer a verdade) e aí que eu não ia conseguir postar mesmo.
Mas agora eu cheguei. Eu quero meu blog, meu cheiro, minhas coisas. Eu tenho esse texto. Espero que gostem.
A morte saúda
Secretamente, com barris de vinho.
Cerejeiras desabrocham
Silenciosas
Um botão – o pasto está em flor, como pode?
Como pode o pasto florir?
Como pôde?
Se um dia eu descobrir
Se um dia eu não a-cor-dar
Se um dia eu desabrochar
E sair voando
der-repente
num rompante
Imprevisivelmente
Como podemos voar?
Cerejeiras são cálidas como a morte, lenta e trôpega.
Jabuticabas maduras - com vespas dentro.
Como é possível?
Como é possível para os pássaros?
Piões girando em roda
Hora para um lado, hora para o outro.
O pasto está em flor – como pode?
Ouço as passadas soturnas
(do guardados de faróis)
E entendo que não posso.
Por hora, isso me basta.
Mas amanhã
Amanhã, quando murcharem as vacas
E quando o boi se transformar num bife
Amanhã tentarei outra vez.
Com que cara?
-Com uma cara nova.
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Auto-Antropofagia Noturna
Alguma coisa cricrila no meu quarto. Eu sento, no escuro, e observo. Ou melhor, tento observar. O grande bloco negro que eu encaro me faz ter a impressão de que o que eu ouço é muito menor do que parece. O que me dá a nítida sensação de que é gigantesco.
Poderia ser eu cricrilando, penso eu. Não faria diferença alguma. No escuro, não há distinções. No escuro, não é o que cricrila e o que ouve. No escuro há. O som, o silêncio, o vazio, todos eles hão, simultaneamente.
E se fosse mesmo eu a cricrilar, então as coisas seriam diferentes? Seriam mais ou menos ameaçadoras? Pisco algumas vezes, tentar enxergar é inútil. Penso em negras e brilhantes jabuticabas, doces e polpudas. Molhadas. Penso em trepar nas árvores e chupá-las, e estou prestes a dormir outra vez quando algo cricrila novamente.
Dessa vez, tenho certeza. Algo está à direita. Vem atacar? Ouço um barulho vindo do vão entre a parede e a cama. Monstros. Monstros cricrilantes querem me pegar. Me encolho pro meio da cama e, com sono, tento dormir.
Mais um cri. Outra certeza, quem fez o barulho foi eu. Uma parte de mim, sólida e estabanada, barulhando no escuro enquanto tropeça pelas paredes. Não vejo meu corpo, então não sinto meu corpo. Me apalpo, para ver se falta algum pedaço de mim, mas é difícil dizer assim, desse jeito. Tenho certeza de que algo ínfimo, uma unha ou um dente ou um pelo, se desprendeu e cresceu-vida-própria, indo se bater nos cantos.
O escuro é a consciência de que sou um todo. O todo. Eu inteira sou o quarto, sou tudo. Eu inteira crcicrilo e me afeto com o medo do bicho por trás do barulho. O que me dá medo sou eu. O que me dá sono sou eu. A parte que dorme e a parte que vigia, as portas do armário cuidadosamente fechadas e as portas do armário rangendo e abrindo. Sou eu o monstro que salta no escuro. Sou eu o inseto que se prendeu no globo de luz.
Primeiro, eu me aperto entre minhas palmas verdes e pegajosas. Depois, eu me arrasto até minha cama e desliso suavemente sobre mim, me adormecendo. Me consumindo. Silenciosamente.
Poderia ser eu cricrilando, penso eu. Não faria diferença alguma. No escuro, não há distinções. No escuro, não é o que cricrila e o que ouve. No escuro há. O som, o silêncio, o vazio, todos eles hão, simultaneamente.
E se fosse mesmo eu a cricrilar, então as coisas seriam diferentes? Seriam mais ou menos ameaçadoras? Pisco algumas vezes, tentar enxergar é inútil. Penso em negras e brilhantes jabuticabas, doces e polpudas. Molhadas. Penso em trepar nas árvores e chupá-las, e estou prestes a dormir outra vez quando algo cricrila novamente.
Dessa vez, tenho certeza. Algo está à direita. Vem atacar? Ouço um barulho vindo do vão entre a parede e a cama. Monstros. Monstros cricrilantes querem me pegar. Me encolho pro meio da cama e, com sono, tento dormir.
Mais um cri. Outra certeza, quem fez o barulho foi eu. Uma parte de mim, sólida e estabanada, barulhando no escuro enquanto tropeça pelas paredes. Não vejo meu corpo, então não sinto meu corpo. Me apalpo, para ver se falta algum pedaço de mim, mas é difícil dizer assim, desse jeito. Tenho certeza de que algo ínfimo, uma unha ou um dente ou um pelo, se desprendeu e cresceu-vida-própria, indo se bater nos cantos.
O escuro é a consciência de que sou um todo. O todo. Eu inteira sou o quarto, sou tudo. Eu inteira crcicrilo e me afeto com o medo do bicho por trás do barulho. O que me dá medo sou eu. O que me dá sono sou eu. A parte que dorme e a parte que vigia, as portas do armário cuidadosamente fechadas e as portas do armário rangendo e abrindo. Sou eu o monstro que salta no escuro. Sou eu o inseto que se prendeu no globo de luz.
Primeiro, eu me aperto entre minhas palmas verdes e pegajosas. Depois, eu me arrasto até minha cama e desliso suavemente sobre mim, me adormecendo. Me consumindo. Silenciosamente.
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
é que um dia agente tem que deixar de lado os nossos sonhos e projetos mais imediatos porque sabe que só assim os resultados a longo prazo serão os melhores possíveis.
Mentira, porque seriam bons de qualquer jeito. Mas é que só assim o caminho vai ser mais confortável.
Mentira, eu só fui covarde e agora estou tentando justificar uma grande burrada. e agora não tem mais concerto.
Não sei como vai ser daqui pra frente. só vou tentar fazer tudo do melhor jeito possível.
Talvez esse seja o caminho certo, afinal.
enquanto isso, eu compro muitos sonhos de creme bem recheados, que é pra matar a vontade.
E vocês me verão na UFRJ, no ano que vem.
Mentira, porque seriam bons de qualquer jeito. Mas é que só assim o caminho vai ser mais confortável.
Mentira, eu só fui covarde e agora estou tentando justificar uma grande burrada. e agora não tem mais concerto.
Não sei como vai ser daqui pra frente. só vou tentar fazer tudo do melhor jeito possível.
Talvez esse seja o caminho certo, afinal.
enquanto isso, eu compro muitos sonhos de creme bem recheados, que é pra matar a vontade.
E vocês me verão na UFRJ, no ano que vem.
quinta-feira, 4 de setembro de 2008
I'm sorry to disappoint you, but I'm not.
Actually, I'm not giving a shit.
Com preguiça demais pra levar qualquer coisa adiante.
Com preguiça demais pra levar qualquer coisa adiante.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Sobre dias longos e noites curtas
Acordar cedo nunca me fez bem. Na verdade, acordar cedo nunca fez bem a ninguém que não more na montanha, coma só legumes e tenha uma constituição levemente vegetal, mas já que é pra ir pra escola, vamos para a escola. A escola é muito blablablá. Sem a escola, ninguém blablablá. Por isso eu me jogo pra fora da cama todos os dias as 5 e meia.
Nos últimos dias, adiquiri o estranho hábido de simplesmente rolar para o lado e me deixar cair pra fora da cama. Não no chão, e sim na bagunça que se acumula do lado da minha cama, que é fofinha por causa do monte de roupas que está jogado ali. Aí eu vergonhosamente tateio em busca do celular histérico, muitas vezes rastejando pelo quarto inteiro até encontrá-lo - em cima da minha cama.
Acho que eu faço mais barulho de manhã do que todos os meus vizinhos juntos, inclusive aquele que liga o liquidificador todos os dias, quandoe u ainda etsou me acostumando com a claridade. Devem pensar que eu mato um porco todas as manhãs, ou coisa parecida. É que eu tenho que alimentar todos os dançarinos que moram aqui em casa e que rebolam, pulam e sapateiam todas as noites.
Outro dia a minha vizinha, uma que vende calcinhas, veio perguntar pra mim "que é essa coisa de Yoga", porque ela entrou aqui em casa e deu de cara com o Ganesha da minha mãe, uma tapeçaria semi-gigante cujos olhos brilham no escuro e são culpados pelo meu medo de passear pela sala no escuro. Então talvez eles pensem que eu mato porcos pro meu ritual satânico, no qual eu sapateio a noite inteira.
A minha casa tem mesmo umas coisas assustadoras. Além do ganesha de olhos brilhantes, tem ainda um quadro de um travesti fazendo bolinhas de sabão, que fica bem de cara pra porta e é iluminado pela luz fantasmagórica do computador. Imaginem meu susto ao sair do banheiro e olhar praquela aparição, fazendo bolinhas de sabão alegremente, a noite toda...
Mas a coisa mais assustadora de todas, é um quadro de hortênsias pintado pela minha tia avó católica e sessentona. Não que ela pinte mal, longe disso. Mas é que os tons do quadro fazem, direitinho, a cara de um Et. Assim, quando a luz apaga e fica aquela penumbra esquisita, sabe? Depois que você se acostuma, dá pra ver o ET até de dia.
Esse quadro costumava ficar de frente pra minha cama. Claro, eu evitava levantar e me mexer e olhar muito diretamente pra ele. O mais impressionante é que eu não fui a única a ver o bicho no quadro, sabe? E minha tia avó sessentona e católica jamais desenharia um et sublinarmente. Só pude concluir, na época, que eram etês de verdade. Passei noites insones pensando na minha morte, até que, um dia, fiquei subitamente tranquila. Pois eu ia morrer, e a frieza desse fato me acalmava.
Mas essa história eu conto, com mais riqueza de detalhes, outro dia. Não era sobre isso que eu vinha falar.
As noites têm passado rapidamente: do momento em que eu vou dormir ao que eu acordo, é apenas um piscar de olhos. Mas os dias, esses não. esses são quentes e se arrastam em aulas de física entediantes e longas filas do Riocard, e esperas nomédico, e almoços em grupo. E parece que eles são só isso, não reunem nada de produtivo, não aprendi nada, não apreendi nada.
Comprei um caderno, esses dias. quem me conhece bem há de perguntar "mais um!?", que eu sou mesmo a rainha dos cadernos, mas é que eu precisava memso era me organizar. Comprei um papel rosa e fiz uma "to do list", com uma caneta cheia de glitter. Preguei no meu treco de avisos, mas parece que ela caiu no chão molhado e a empregada acabou jogando fora. Ninguém se importamuito com as minhas responsabilidades, enquanto eu finjo que as cumpro.
mas nem esse caderno tem adiantado muito e eu passo os meus dias numa preguiça e num marasmo incontroláveis, não sobra nem tempo pra vir aqui.
Eu queria mesmo é que durante o dia eu fosse insone, e passasse as noites nessa lentidão de sempre, aí que ia funcionar tudo bem. Mas por quê que botam as aulas de matemática no primeiro horário de segunda feira, mesmo?
Nos últimos dias, adiquiri o estranho hábido de simplesmente rolar para o lado e me deixar cair pra fora da cama. Não no chão, e sim na bagunça que se acumula do lado da minha cama, que é fofinha por causa do monte de roupas que está jogado ali. Aí eu vergonhosamente tateio em busca do celular histérico, muitas vezes rastejando pelo quarto inteiro até encontrá-lo - em cima da minha cama.
Acho que eu faço mais barulho de manhã do que todos os meus vizinhos juntos, inclusive aquele que liga o liquidificador todos os dias, quandoe u ainda etsou me acostumando com a claridade. Devem pensar que eu mato um porco todas as manhãs, ou coisa parecida. É que eu tenho que alimentar todos os dançarinos que moram aqui em casa e que rebolam, pulam e sapateiam todas as noites.
Outro dia a minha vizinha, uma que vende calcinhas, veio perguntar pra mim "que é essa coisa de Yoga", porque ela entrou aqui em casa e deu de cara com o Ganesha da minha mãe, uma tapeçaria semi-gigante cujos olhos brilham no escuro e são culpados pelo meu medo de passear pela sala no escuro. Então talvez eles pensem que eu mato porcos pro meu ritual satânico, no qual eu sapateio a noite inteira.
A minha casa tem mesmo umas coisas assustadoras. Além do ganesha de olhos brilhantes, tem ainda um quadro de um travesti fazendo bolinhas de sabão, que fica bem de cara pra porta e é iluminado pela luz fantasmagórica do computador. Imaginem meu susto ao sair do banheiro e olhar praquela aparição, fazendo bolinhas de sabão alegremente, a noite toda...
Mas a coisa mais assustadora de todas, é um quadro de hortênsias pintado pela minha tia avó católica e sessentona. Não que ela pinte mal, longe disso. Mas é que os tons do quadro fazem, direitinho, a cara de um Et. Assim, quando a luz apaga e fica aquela penumbra esquisita, sabe? Depois que você se acostuma, dá pra ver o ET até de dia.
Esse quadro costumava ficar de frente pra minha cama. Claro, eu evitava levantar e me mexer e olhar muito diretamente pra ele. O mais impressionante é que eu não fui a única a ver o bicho no quadro, sabe? E minha tia avó sessentona e católica jamais desenharia um et sublinarmente. Só pude concluir, na época, que eram etês de verdade. Passei noites insones pensando na minha morte, até que, um dia, fiquei subitamente tranquila. Pois eu ia morrer, e a frieza desse fato me acalmava.
Mas essa história eu conto, com mais riqueza de detalhes, outro dia. Não era sobre isso que eu vinha falar.
As noites têm passado rapidamente: do momento em que eu vou dormir ao que eu acordo, é apenas um piscar de olhos. Mas os dias, esses não. esses são quentes e se arrastam em aulas de física entediantes e longas filas do Riocard, e esperas nomédico, e almoços em grupo. E parece que eles são só isso, não reunem nada de produtivo, não aprendi nada, não apreendi nada.
Comprei um caderno, esses dias. quem me conhece bem há de perguntar "mais um!?", que eu sou mesmo a rainha dos cadernos, mas é que eu precisava memso era me organizar. Comprei um papel rosa e fiz uma "to do list", com uma caneta cheia de glitter. Preguei no meu treco de avisos, mas parece que ela caiu no chão molhado e a empregada acabou jogando fora. Ninguém se importamuito com as minhas responsabilidades, enquanto eu finjo que as cumpro.
mas nem esse caderno tem adiantado muito e eu passo os meus dias numa preguiça e num marasmo incontroláveis, não sobra nem tempo pra vir aqui.
Eu queria mesmo é que durante o dia eu fosse insone, e passasse as noites nessa lentidão de sempre, aí que ia funcionar tudo bem. Mas por quê que botam as aulas de matemática no primeiro horário de segunda feira, mesmo?
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